Autor: raissa

  • Minha Mudança

    Eu mudei, e não foi só de endereço: agora estou morando em Natal, Rio Grande do Norte!

    Quando morei em Curitiba, trabalhei como Fisioterapeuta Domiciliar e atendi pacientes no último estágio da vida, na velhice, principalmente pessoas com Parkinson e Alzheimer. Sempre tive um conflito interno muito grande ao ver as famílias e os cuidadores que não conseguiam cuidar de uma forma que fosse saudável para todos. Incomodava-me o modo como as pessoas agiam com os idosos. Havia quem deixasse de cuidar da própria vida para cuidar do idoso 24 horas. Essa atitude é fomentada e naturalizada por familiares que delegam todas as funções para uma única pessoa que, geralmente, é mulher, solteira e sem filhos.

    Então, eu ficava observando esse formato de cuidar, um formato desgastante, estressante, triste a ponto de levar o cuidador ao esgotamento psicológico e físico. E, no final das contas, não era eficiente para cuidar do idoso.

    Foi com essas vivências que cheguei em Natal para cuidar de uma tia com depressão bipolar.

    Posso dizer que é fácil? Não! Mas, com toda certeza, eu conseguiria fazer melhor do que eu já presenciei como profissional da fisioterapia que atendia na intimidade do lar das pessoas idosas. É claro que ninguém passa por um processo de mudança tão drástica de forma “inteira”, e comigo não foi diferente: precisei me adaptar a essa nova vida e a essa nova realidade. Eu já tinha em mente que precisava manter os meus cuidados físicos, mas isso não foi o bastante. Eu sofri um esgotamento mental e, depois, comecei com cuidados psicológicos com uma psicóloga que, além de tratar adultos (o que me entenderia), também entende de idosos, porque agora tem a minha tia.

    Precisei passar por isso para entender que tenho que colocar limites e que preciso me cuidar para cuidar bem… Se eu não me cuidar, como vou cuidar bem de uma pessoa idosa?