O Abandono Afetivo de Idosos no Fim de Ano

Algo me chama a atenção faz muitos anos, é o abandono dos idosos no Natal e Ano Novo. Como fisioterapeuta, sempre observei com indignação os familiares deixarem os idosos em instituições de longa permanência, até mesmo em hospitais particulares.

Isso agrava o abandono afetivo de um idoso que já passou um ano praticamente sozinho. Era apenas essa a minha percepção, agora não, é diferente, estou vivendo na pele essa questão. Os convites aparecem sem levar em consideração a minha tia idosa e bipolar. Sem se importar que ela perdeu a irmã não faz muito tempo e que ela tem um transtorno mental. Não existe uma organização que contemple nós duas juntas. Quem tenta não pensa no ambiente, nos fogos, no tumulto e na rotina.

Esse problema já vi que será anual, relevante tanto pra mim e pra ela, ainda é um mistério como melhoraremos essa questão, isso torna o idoso mais frágil física e psicologicamente, ameaçando sua dignidade. E também causa um impacto na saúde mental do cuidador, ainda não sei explicar exatamente o que, esse incomodo ainda não tem tradução em palavras.

Pelo Estatuto do Idoso e definição do Ministério da Saúde (2003), são considerados idosos indivíduos com 60 anos ou mais. A Constituição Federal e o Código Civil impõem obrigações aos familiares, comunidade, sociedade e poder público para garantir, de forma prioritária, direitos como vida digna, saúde, alimentação, cultura, educação, esportes e lazer. 

O relacionamento familiar influencia diretamente o comportamento do idoso e do cuidador familiar mais próximo. Em “lares” onde esse papel é deixado praticamente apenas para uma pessoa, surgem frustrações, depressão, agressividade e isolamento social de ambas as partes.

Já em famílias mais afetuosas, prevalece o bem-estar emocional e organização de quem menos pode se locomover.

Pessu, final do ano é para diminuir as distâncias emocionais. Enquanto isso não ocorre, somos nós duas tentando nos entender numa época tão emocional.

Vai dar tudo certo!

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